Era o que a minha mãe me dava antes de qualquer acontecimento que me deixava mais impaciente e me tirava o sono. Há alturas que bem precisava que ela abrisse de novo o frasco e me enfiasse umas colheradas dessa água boca abaixo. Era remédio santo.

05
Mai 06
O vento soprava forte. O sol queimava até os ossos. O barulho do mar era ensurdecedor. Ele olhou para o céu e uma gaivota atravessou-se à sua frente. "E agora?" pensou ele quando se lembrou que tinha deixado o chapéu em casa. O mar era como o outro, mas aquele sol associado ao vento não augurava nada de bom. O que tinha planeado ser um dia perfeito sem preocupações e problemas, gozando apenas o mar, a brisa e o sol parecia estar destinado a ser mais um aborrecimento!
Voltar atrás para ir buscar o bendito chapéu estava fora de questão - demorar mais não-sei-quantas horas a atravessar a ponte...só de pensar sentiu uma dôr de cabeça.Começou a ficar nervoso. Nunca se separava do referido chapéu desde que começou a notar que o cérebro aquecia mais do que habitualmente durante o verão.Não era apenas um simples chapéu - era já um prolongamento de si próprio, uma espécie de substituto daquilo que tinha perdido.Ter-se esquecido dele era a mesma coisa que ter deixado um dedo ou uma orelha no duche.
"Idiotice a minha!!", gritou ele dentro de si mesmo. Não havia hipótese! Estava decidido!Tinha que se libertar daquela tirania chapeleira! Não era um chapéu ranhoso que lhe iria tirar o prazer de um dia relaxante à beira-mar! O primeiro dia de praia do ano! Estendeu a toalha, sentou-se e começou a espalhar protector solar écran total em todo o seu calvo couro cabeludo.

(Esta é dedicada ao Paulo...)
publicado por obosmois às 20:23
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