Era o que a minha mãe me dava antes de qualquer acontecimento que me deixava mais impaciente e me tirava o sono. Há alturas que bem precisava que ela abrisse de novo o frasco e me enfiasse umas colheradas dessa água boca abaixo. Era remédio santo.

27
Jul 10

Está um calor insuportável. A casa é climatizada em todo o sentido da palavra - fria no inverno e quente no verão. Não consigo perceber se está mais quente cá dentro se lá fora. Também não consigo perceber como é que os meus gatos ainda estão vivos quando eu me sinto a meio passo para a cova. Como não há ar condicionado lembrei-me que seria boa ideia comprar uma segunda ventoinha para fazer companhia à já existente e muito usada, na árdua tarefa de pôr o ar a circular e trazer algum fresquinho às nossas existências. Por acaso, lembrei-me de pedir a opinião ao namorido por sms:

"Mas onde está a ventoinha que compraste o ano passado na Worten??" - perguntou ele.

Este está pior que eu - a ventoinha já é mais velha que a Sé de Braga (pensei eu) - "Está no quarto desde a noite passada..."

"Mas essa do ano passado não está no quarto!!!" - volta ele (bem, bem deve ter tirado o dia para me irritar com uma conversa de surdos! - pensei eu, mas não disse). "O ano passado compraste uma igual à da casa do Algarve e até a puseste o verão todo no quarto! É aquela que espalha o ar em várias direcções!!" - continua ele a insistir.

"Bem, se comprei deve estar guardada em algum lado..." - disse eu, já a caminho de casa só para o calar. "Quando chegar a casa vou procurá-la." (até parece que a casa é um palacete do séc.XIX, cheio de quartos e salas secretas). O que é certo é que o resto do caminho para casa vim mais a pensar se ele tinha razão do que a tomar atenção ao trânsito. E se eu comprei mesmo uma ventoinha o ano passado que foi usada intensamente no meu quarto e eu não me lembro minimamente? E se ele está a fazer confusão com outra ventoinha e outra casa qualquer que não a nossa?

Mal cheguei a casa fui directa à despensa e (para meu grande espanto e enorme alívio) lá estava a ventoinha arrumadinha a um canto, sossegadinha dentro de um grande saco azul de plástico, à espera pacientemente de cumprir a função para a qual foi criada. A parte da "outra ventoinha e outra casa que não a nossa" ficou resolvida...mas a parte de eu me ter esquecido completamente que a tinha comprado no verão passado ( e não há milénios atrás) está a matutar na minha cabeça - será que estou a ficar ché-ché ou isto é apenas um mecanismo de libertar espaço no disco rígido e só me lembro do que é realmente importante???

publicado por obosmois às 22:16
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música: "Whem I get older" - The Beatles

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